O ano de 2011 será importantíssimo para usuários profissionais da plataforma Macintosh, em especial para aqueles que trabalham com edição e pós-produção de vídeo e áudio. Enquanto a grande maioria do público aguarda com ansiedade pelas novidades dos novos iPads, iPhones e iPods (os “iToys”), os usuários avançados esperam verdadeiramente por novidades no campo das aplicações especializadas, como o Final Cut e o Logic. De certo modo, o lançamento ou não pela Apple de aguardados upgrades para estes softwares definirá se a empresa de Steve Jobs deseja ou não manter-se como referência no nicho de mercado da produção audiovisual.
Não restam dúvidas de que a Apple vive hoje seu melhor e mais lucrativo momento como empresa, ápice de uma curva ascendente que começa com a volta de Jobs à companhia nos anos 90. O retorno do Jedi da era digital salvou a empresa da bancarrota e relançou a marca da maçã à estratosfera. Com Jobs, a Apple deixou de ser apenas uma fabricante de computadores, consolidando-se em áreas antes incertas como o comércio digital de conteúdo pela internet e a produção de gadgets, como o iPod e seus derivados.
Esse movimento parecia beneficiar de modo geral toda a linha de produtos da empresa. Com a marca da maçã tornando-se uma necessidade no imaginário de qualquer consumidor vivo do planeta, usuários dos computadores Mac só tinham motivos de orgulho. Entretanto, a cada novo lançamento surgem indícios de que a nova Apple já não tem tanto interesse em apostar no universo ultrapassado dos computadores de mesa, o que deixaria órfãos uma leva de fidelíssimos usuários profissionais.
O maior dos indícios desse abandono é o marasmo na atualização dos aplicativos profissionais da empresa, como o Final Cut Pro. Apesar de ainda reinar quase absoluto na preferência de 8 entre 10 profissionais da edição de vídeo, vozes especializadas julgam que hoje o FCP 7 está cerca de 2,5 gerações atrás de concorrentes como o Avid e o Adobre Premiere CS5 em termos tecnológicos. Boatos especulam que a demora no lançamento de upgrades realmente significativos para a linha de edição profissional audiovisual da Apple deve-se ao desmantelamento de equipes de programadores, que são sistematicamente deslocados para projetos mais estratégicos, como o aperfeiçoamento do sistema operacional do iPhone (iOS).
O Final Cut Pro continua sendo uma ferramenta extraordinária, mas sua dependência da arquitetura QuickTime é ultrapassada e compromete bastante o fluxo de trabalho com câmeras que usam discos rígidos ou cartão para armazenamento, uma tendência irreversível do mercado. O grande problema é que o FCP não trabalha bem com os arquivos dessas filmadoras e na maioria das vezes exige que o material original seja traduzido em arquivos .MOV específicos, o que representa uma considerável perda de tempo e espaço em disco. O novo Adobe Premiere Pro CS5, ao contrário, permite trabalhar diretamente com arquivos vindos de cartões sem perda alguma de qualidade ou desempenho, mesmo no caso dos pesadíssimos formatos compactados em h.264 das câmeras HDSLR (Canon 5D, 7D, 60D etc.). Associado a uma nova e revolucionária tecnologia de aceleração de vídeo e render que aproveita o poder de fogo das placas gráficas nVidia, o Premiere Pro vem aos poucos reconstruindo sua imagem (antes associada a travamentos e lentidão) entre os profissionais e roubando espaços que pertenciam ao editor da Apple até 2009.
A aparente falta de interesse na sobrevivência do Final Cut frente aos competidores é estranhíssima, pois este é um aplicativo emblemático para a plataforma Apple. Nos anos 90 a Avid praticamente inventou a edição digital de vídeo não-linear, substituindo a complicadíssima e improdutiva edição analógica linear de videotapes. Contudo, a Avid realizava isso através de sistemas que integravam software e hardware específico e bastante caro. Em meados daquela década, a Apple comprou o Final Cut da Macromedia e o lançou a uma fração do preço do concorrente, repleto plug-ins e sem demanda por hardware que não um Mac normal. Com isso, a Apple fez pela edição de vídeo nos anos 90 o que havia feito pela editoração eletrônica nos anos 80: tornou doméstica uma atividade antes quase industrial. Nos dois casos, a Apple conseguiu associar sua marca a esses nichos de mercado, configurando-se como a única solução confiável para realização dessas tarefas no imaginário de muitos profissionais.
Outro indício importante de abandono é que Steve Jobs parece estar mais preocupado em mover o mercado para sua própria “região de conforto” do que prover seus usuários de funcionalidades elementares. É um total absurdo que um caríssimo iMac com tela de LED de 27 polegadas não saia de fábrica com um mero drive leitor de Blu-ray, hoje padrão entre PCs equivalentes. A Apple argumenta que os discos Blu-ray são um modo obsoleto de distribuição de vídeo e que, portanto, “não têm futuro”. Até pode ser, mas a empresa continua, no entanto, provendo suas máquinas de jurássicos leitores de DVD! A verdade é que a Apple simplesmente não quer que seus usuários tenham outra forma de consumir vídeos em alta definição nos Mac que não a compra e download de conteúdo pelo seu iTunes. Antes crítico de ações empresariais predatórias da Microsoft de Bill Gates, Jobs hoje não se furta de namorar descaradamente com o monopólio. Quem irá criticá-lo? Adobe? Google?
Hoje o foco da maçã não está mais no mercado de computadores profissionais. A Apple deseja e tem conseguido se projetar no imaginário dos consumidores como líder hegemônica no mercado dos dispositivos digitais móveis. Na era do Twitter e do Facebook os desktops parecem cada vez mais obsoletos e não resta dúvida alguma que os netbooks (de vida curtíssima) já cederam lugar aos iPads e similares. Talvez Jobs esteja certo e os PCs (e Macs) não tenham mesmo futuro.
Se a Apple vier mesmo a se desinteressar pelo segmento de PCs, como ficam aqueles que precisam de computadores com o logo da maçã para realizar tarefas especializadas? Bom, eles ainda disporão de PCs com Windows (ou Linux) para rodar boa parte dos aplicativos que rodam nos Mac. Quem perderia verdadeiramente com isso? Quase ninguém. Apenas aqueles aficionados que têm certeza absoluta que um Mac é a única coisa que presta e realmente funciona quando a tarefa é a editoração eletrônica ou edição audiovisual. Há um preconceito atávico e equivocado entre esses profissionais contra PCs com Windows em geral. A verdade é que um PC bem configurado com Windows 7 64 bits roda aplicativos especializados de modo tão estável quanto qualquer Mac com Snow Leopard. Qualquer usuário sensato sabe que pelo custo de um Mac monta-se um PC muito mais potente e ao menos igualmente confiável.
Eu trabalho profissionalmente tanto com Windows 7 64 bits quanto com Mac OS X. Sendo um usuário ativo de ambas as plataformas, posso afirmar categoricamente que um Mac é um belo PC de grife com um sistema operacional mais clean e que funciona ligeiramente mais ágil em algumas situações por não demandar a presença de antivírus (por enquanto!). Isso não é nada ruim, pois Sony, HP, Dell são também grifes. Independentemente do seu futuro, Macs são máquinas excelentes que merecem todo nosso respeito, mas não são “necessários” para tarefas profissionais especializadas como edição de vídeo e áudio. A ilha de edição dos sonhos hoje já não é um robusto e caríssimo Mac Pro rodando o ótimo, mas atualmente ultrapassado Final Cut. Particularmente eu preferiria bem mais um acessível PC com processador Intel i7, abarrotado de memória RAM, com uma placa gráfica nVidia que potencializa a tecnologia Mercury do excelente Adobe Premiere Pro CS5 em sua insuperável parceria com o After Effects. E ainda daria para comprar dois ou três grandes monitores de LCD bem mais em conta e sem aquele excessivo brilho dos displays da Apple: bonitos, mas improdutivos.
Minha aposta para 2011 é que aquilo que a Apple vier a oferecer no Final Cut Pro 8, cujo lançamento é aguardado para meados deste ano, definira mais que iPads e iPods o futuro dos computadores Mac como plataformas especializadas em edição audiovisual no imaginários dos profissionais da área.

Realmente editar no Final Cut em alguns momentos se torna inviável. Ter que trasnformar arquivos antes de editar é uma grande perda de tempo. O CS5 trabalha muito bem com os arquivos das HDSLR’s e das XDCAM’s. Sou um dos que aguarda anciosamente pelas novidades da nova suite da Apple.
Adriano,
Muito bom o seu texto. Mas acho que faltou você falar, embora não seja um tanto profissional, dos atualmente estáveis e produtivos Hackintosh, PCs muito bem configurados, alguns até com placas-mãe de 2 processadores, Core i7 ou Xeon, que rodam absolutamente todos os softwares feitos para o MAC OS, inclusive a suíte Adobe CS5 completa. Confesso que tenho instalado o Premiere CS5, mas como backup, no caso de alguma falha do Final Cut, o que quase nunca acontece. Realmente uma vez o Compressor falhou e precisei encodar um vídeo para DVD utilizando o Adobe Media Encoder CS5 e fiquei surpreso com a velocidade do processo, mas acho confuso os presets do mesmo. Na correria ainda não tive tempo de fazer um teste comparativo de qualidade. Quanto ao fato de o Premiere CS5 editar arquivos provenientes de câmeras HDSLR sem descompactar, não posso discutir até fazer alguns testes.
Faz sentido o que você falou sobre a ausência de leitores de Blu-Ray em toda a linha de computadores da Apple, coisa que a Sony já coloca em alguns modelos de notebooks há algum tempo. Eu mesmo quando quero corro para o filestube.com e baixo um filme em alta definição, que geralmente tem 8 ou 10GB, em apenas 5 horas, e olha que minha conexão GVT nem é a melhor, imagina se fosse a de 50Mb! Pois é, faz tempo que nem entro numa locadora de vídeo. Sei que isso não é bom para o mercado audiovisual e cinematográfico como um todo, mas é irresistível comparado ao preço de um disco Blu-Ray, e olha que o preço está caíndo. Minha irmã me deu de presente o Blu-Ray de “Tropa de Elite 2″, pré-vendido por 29 reais nas grandes lojas virtuais, e eu nem tenho um player, nem na ilha de edição. Penso em comprar um, mas que principalmete tenha entrada USB e acesso a conteúdo na internet, ou seja, no fundo acredito que a bolacha Blu-Ray não tem futuro. Atualmente gravo com minha Canon 7D em Full HD, edito, em Final Cut, e finalizo em alta definição, gerando um arquivo MP4 que uma boa TV LCD ou LED com entrada USB vai exibir com altíssima qualidade.
Minha aposta é que num futuro bem próximo vou poder entregar para qualquer cliente um pendrive ou cartão de memória com o produto final em alta definição dentro dele e o mesmo vai poder espetar em sua TV e assistir tranquilamente, sem possíveis engasgos causados por mídia arranhada ou de má qualidade. Quando ao futuro do Final Cut Pro, prefiro acreditar que Jobs vai lançar algo muito bom no mercado, seja uma atualização ou uma nova versão que aproveite melhor todo o potencial do OSX 64 bits. Espera…!!!
Bela contribuição, Marcus. O fenômeno Hackintosh só existe devido ao Final Cut. Praticamente não há outro software que justifique (profissionalmente) o esforço de tornar um PC em um Mac.
Experimente editar material da 7D sem conversão no Premiere CS5 e me dê um retorno. Mas baixe as atualizações, o Premiere Pro deve estar no 5.02, com alguns bugs iniciais resolvidos.
Eu montei um Hackintosh so por causa do Final Cut, mas depois de instalar o Premiere CS5, a unica coisa que ainda faz eu entrar no FCP e’ a falta de dominio no premiere.. o que logo vai acabar, ja que haja saco com a lerdeza do FCP. Pro Tools tem pra Windows, ADOBE Suite e AVID tambem.. a producao em audio e video nao e mais refem da apple. A unica coisa que presta da apple e’ o sistema operacional aberto, que esta bem na frente do codigo fechado e ultrapassado da microsoft.
Concordo con os depoimentos, tbm utilizo Hackintosh com um Six-Core i7 e ele e bem mas enconta que um mac pro.
Olá Amigos
Recentemente migrei do Sony Vegas Pro Para o Final Cut 7, justamente por não aquentar mais os Bugs do Windows
Estou muito feliz com o FCP, é um programa muito intuitivo e com ajuda de um livro (O guia oficial do FCP) estou fazendo coisas incríveis com ele.
Trabalho com câmeras EX1, HMC150 e 5D a conversão para mov é muito rapda, e o video pós conversão roda lizinho, muito diferente de quando vc ta editando com o video original, que fica dando aquelas travadinhas chata.
Ta certo que essa conversão vai ocupar mais espaço no HD, mais nos dias de hoje que um HD de 1.5tb custa apenas R$ 180,00
pra mim não faz diferença.
Pra mim a única coisa que falta na Suite FCP realmente é dar suporte a autoração em Blu-Ray e talvez pro futuro video 3D
De resto pra mim o FCP é Perfeito
Enquanto isso vou autorando no Encore.
abraço.
O foda é usar um programa “antigo” estamos em 2011. O FCP parou no tempo! E pelo visto os caras da APPLE querem só saber de IPHONES IPADS IOS da vida. Ou você acha que vender DESKTOP, FINAL CUT dá muita grana pra eles? Venderam simplesmente 25milhões de iPADs, agora quantas licenças de FINAL CUT eles venderam?
Apple é muito mais um status do que algo realmente útil. Confesso o design é bonito e bla blá, mas apenas isso. O windows 7 é um sistema bastante estável.
Eu edito filmes da minha 7D no FInal Cut Pro sem problemas…apesar de ser bem pesados. 1080
O problema é que qualquer transição que vc aplicar demandará render. Isso não acontece no Premiere Pro CS5 nem no novo FCP.
para quem ainda não conhece experimente o Avid Media Composer gratuitamente por 30 dias…só ir no site dels e baixar
FAÇO EDIÇAO DE DOCUMENTARIOS E JORNALISMO COM ADOBE CS5 USO UMA PLACA MATROX EXTERNA, NAO PRECISO DE RENDER.
Gostei da dissertação. Mas, como alguém que já trabalhou em assistencia técnica, o hardware de um Mac está muito além dos que são fábricados para Windows. Acontecem diversos problemas entre hardware e windows até mesmo nos caros Sony Vayo. A questão não é somente o OS X, mas a boa integração que esse tem com o hardware escolhido pela Apple. Isso sem contar que agora com o Lion, a experiência de Descktop foi levada à outro nível. Por isso seria bem triste ver o Final Cut ou o Logic deixados de lado pela empresa fabricante.